quarta-feira, 10 de julho de 2013

trechos de Crônicas - Martha Medeiros

"O que as revistas femininas deveriam receitar é: não acredite em tudo o que ouve. Nem em tudo o que diz. Suspenda a descrença quando quiser prazer. Não subestime os outros, nem os idolatre demais. Seja educada, mas não certinha. Faça coisas que você nunca imaginou antes. Não minta, nem conte toda a verdade. Dance sozinha quando ninguém estiver olhando. Divirta-se enquanto seu lobo não vem."

Rir com o cérebro.
In.: Trem-bala. 2012 


"Trata-se de incorporar ao nosso dia a dia pequenos deleites que registrem nossa identidade. Os grandes prazeres são imperativos e comuns a todos (...). Os pequenos prazeres, ao contrário, nos individualiza, revelam a nossa maneira de estar no mundo. É o nosso jeito." 

A felicidade a nosso modo.
In.: Trem-bala. 2012


"Cair na real é duro, mas é isso que temos que aprender dentro de casa. Sucesso é ter um emprego, uma vida tranquila, meia dúzia de amigos fiéis, um pouco de lazer, algum estudo e cabeça no lugar."

Maníacas pela fama.
In.: Trem-bala. 2012 


"Para muita gente, é difícil administrar tantos "eus" num único corpo. Ao depararmo-nos com nossas contradições diárias, ficamos com a impressão de sermos meio mascarados, pessoas de múltipla identidade, em quem não se deve confiar. Bobagem. Ninguém é 100% uma coisa só. A contradição é o sintoma de que você não para de se questionar, de que reavalia constantemente suas escolhas, de que optou pela flexibilidade e pela renovação de intenções. Nascer e morrer sem nunca mudar de ideia é muito monótomo. Seja sempre você mesmo, mas não seja o mesmo para sempre." 
Censo interno.
In.: Trem-bala. 2012


"A pressa serve para concluir; o tempo, para desenvolver. A pressa atropela, o tempo desliza. A pressa é cega, o tempo enxerga longe. A pressa esconde, o tempo mostra. A pressa esfria, o tempo aquece."

A pressa e o tempo.
In.: Trem-bala. 2012


"Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung jump, ir para o colégio de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos os seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos a sua existência."

O contrário do amor.
In.: Trem-bala. 2012

         Acho que esqueci de colocar a referência completa no post sobre "Montanha-russa". Esqueci =X Mas nesse não esquecerei, segue abaixo:

MEDEIROS, Martha. Trem-bala. Porto Alegre: L&PM, 2012. 







domingo, 28 de abril de 2013

"Encontrei hoje em ruas, separadamente, dois amigos meus que se haviam zangado um com o outro. Cada um me contou a narrativa por que se haviam zangado. Cada um me disse a verdade. Cada um me contou as suas razões. Ambos tinham toda a razão. Não era que um via uma coisa e o outro, outra, ou que um via um lado das coisas e outro um lado diferente. Não: cada um as via com critério idêntico o do outro, mas cada um via uma coisa diferente, e cada qual, portanto, tinha razão."


In: Livro do desassossego, Bernardo Soares (heterônimo de Fernando Pessoa)

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Martha Medeiros - trechos de crônicas

       
       "Alguém lá tem certeza absoluta do que quer que seja? Somos todos novatos na vida, cada dia é uma incógnita, podemos ser surpreendidos pelas nossas próprias reações, repensamos mil vezes sobre os mais diversos temas: as ditas "certezas" apenas são escudos que nos protegem das mudanças. Mudar é difícil. Crescer é penoso. Olhar para dentro de si mesmo, profundamente, é sempre perturbador."

Os inimigos da verdade. 
In: Montanha-russa: crônicas. 2011

     

       "Fizeram a gente acreditar que cada uma de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais rápido."

Sacanagem.
 In: Montanha-russa: crônicas. 2011

domingo, 27 de janeiro de 2013

Li o poema abaixo na Revista Bravo! deste mês, sobre as novas faces de Fernando Pessoa. Gostei e achei-o digno de abrir as postagens do ano, do blog. 
Acho até que ano passado abri as postagens de 2012 com Pessoa =) #PessoaFeelings. 
Tenham um excelente ano, =*

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"Gosto do ceu porque não creio que elle seja infinito.
Que pode ter comigo o que não começa nem acaba?
Não creio no infinito, não creio na eternidade.
Creio que o espaço começa numa parte e numa parte acaba
E que agora e antes d'isso ha absolutamente nada.
Creio que o tempo tem um princípio e tem um fim.
E que antes e depois d'isso não havia tempo.
Porque ha de ser isto falso? Falso é fallar de infinitos
Como se soubessemos o que são de os podermos entender.
Não: tudo é uma quantidade de cousas.
Tudo é definido, tudo é limitado, tudo é cousas."

Poema inédito e sem título de Alberto Caeiro, transcrito por Jerónimo Pizarro

domingo, 16 de dezembro de 2012

La vie...

"La vie est tellement ironique; Il faut avoir connu la tristesse afin de savourer le bonheur, le bruit afin d'apprécier le silence et l'absence afin de profiter de la précense"

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C'est la vie!